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Sexta-feira, 30 de Novembro de 2007

QUESTÕES LEVANTADAS PELO GEO-4

ÁGUA

A irrigação já utiliza cerca de 70% da água disponível; ainda assim, para atingir o Objectivo do Milénio de reduzir a fome no mundo, a produção de alimentos deverá dobrar até 2050. A água doce disponível está diminuído: até 2050, prevê-se que o uso da água crescerá 50% nos países em desenvolvimento e 18% nos países desenvolvidos. Afirma o GEO-4: “o fardo crescente da procura por água tornar-se-á intolerável em países com recursos hídricos escassos”.

A qualidade da água também tem declinado, poluída por micróbios patogénicos e nutrientes em excesso. Globalmente, a água contaminada é a maior causa de doenças e morte de pessoas.

PEIXES

O consumo mais que triplicou entre 1961 e 2001. As pescas estagnaram ou declinaram lentamente desde os anos 80. Subsídios geraram excesso na capacidade de pesca, estimada em 250% maior do que o necessário para manter a produtividade sustentada dos oceanos.

BIODIVERSIDADE

As mudanças actuais na biodiversidade são as mais velozes na história humana. Espécies são extintas cem vezes mais rapidamente do que o analisado a partir de registros fósseis. Estima-se que o comércio de carne silvestre na bacia do Congo, na África, seja seis vezes maior do que a taxa sustentável. Dos maiores grupos de vertebrados analisados com profundidade, mais de 30% dos anfíbios, 23% dos mamíferos e 12% dos pássaros estão ameaçados.

Espécies intrusas estranhas ao ambiente também são um problema crescente. As águas-vivas-de-pente (ou “carambolas-do-mar”), introduzidas acidentalmente no Mar Negro em 1982 por navios dos EUA, dominaram todo o ecosistema marinho e destruíram 26 portos de pesca comercial até 1992.

Uma sexta grande extinção irá ocorrer, desta vez causada pelo comportamento humano. Atender a crescente procura por comida significará intensificar a agricultura (utilizando mais produtos químicos, energia e água, além de criações e culturas mais eficientes) ou cultivar mais terras. De ambas as formas, a biodiversidade será afectada.

Um sinal de progresso é o aumento contínuo de áreas protegidas. Mas elas devem ser geridas com eficiência e criadas adequadamente. E a biodiversidade (de todo tipo, não apenas a “megafauna carismática” como tigres e elefantes) necessitará cada vez mais de preservação fora das áreas protegidas.

PRESSÕES REGIONAIS

Este é o primeiro relatório GEO em que todas as sete regiões do mundo são enfatizadas quanto aos impactos potenciais das mudanças climáticas.

 

Em África, degradação do solo e mesmo a desertificação são ameaças; a produção de alimentos per capita diminuiu 12% desde 1981. Subsídios agrícolas injustos em regiões desenvolvidas continuam a impedir o progresso rumo a cessões maiores.

 

As prioridades para Ásia e Pacífico incluem qualidade do ar em áreas urbanas, pressão sobre água doce, degradação de ecosistemas, uso agrícola da terra e crescente produção de resíduos. A provisão de água potável obteve progresso notável na última década, mas o tráfico ilegal de resíduos perigosos é um novo desafio.

 

O rendimento crescente na Europa e o aumento no número de famílias têm levado ao consumo e à produção insustentáveis, maior gasto energético, péssima qualidade do ar e problemas de transporte. As outras prioridades para a região são a perda de biodiversidade, mudanças no uso da terra e pressões sobre água doce.

 

A América Latina e o Caribe enfrentam crescimento urbano, ameaças à biodiversidade, danos nos litorais e poluição marinha, e vulnerabilidade às mudanças climáticas. Porém, áreas protegidas cobrem actualmente 12% da terra e as taxas anuais de desflorestação  na Amazónia estão reduzindo.

 

A América do Norte luta para combater as mudanças climáticas, as quais se relacionam com uso de energia, crescimento urbano desordenado e pressões sobre recursos hídricos. Os ganhos na eficiência energética perderam o efeito por causa do uso de veículos maiores, padrões de baixa economia de combustível e aumento no número de automóveis e das distâncias percorridas.

 

Para a Ásia ocidental, as prioridades são pressões sobre recursos hídricos, degradação dos ecossistemas terrestres, costeiros e marinhos, gestão urbana e paz e segurança. Também preocupam as doenças relacionadas à água e a partilha dos recursos hídricos internacionais.

 

Nas Regiões polares já se notam os impactos das mudanças climáticas. A segurança alimentar e a saúde de populações indígenas são ameaçadas pelo aumento de mercúrio e de poluentes orgânicos persistentes no meio ambiente. A camada de ozono deve levar mais meio século para se recuperar.

O futuro

O Relatório GEO-4 reconhece que a tecnologia pode ajudar a reduzir a vulnerabilidade das pessoas às pressões ambientais, mas afirma que há, em certas ocasiões, a necessidades de “corrigir o paradigma de desenvolvimento centrado na tecnologia”.

 

O relatório explora como as tendências actuais podem resultar em quatro cenários por volta de 2050.

 

O futuro real será determinado em grande parte pelas decisões que os indivíduos e as sociedades tomarem agora, afirma o GEO-4: “o nosso futuro comum depende de nossas acções hoje, e não amanhã ou em algum momento no futuro”.

O dano causado por alguns problemas persistentes talvez já seja irreversível. O relatório alerta que o combate às causas profundas das pressões ambientais pode, por vezes, afectar os interesses consolidados de grupos poderosos capazes de influenciar as decisões políticas. A única forma de lidar com os problemas mais sérios é deslocar o tema ambiental da periferia para o centro das decisões: é o ambiente para o desenvolvimento, não o desenvolvimento em detrimento do ambiente.

“Houve chamados para a acção suficientes desde Brundtland. Eu espero sinceramente que o GEO-4 seja o último. A destruição sistemática dos recursos naturais da Terra atingiu um estágio em que é desafiada a viabilidade económica em todo o mundo – e a conta que passamos aos nossos filhos pode ser impossível de ser paga”, disse Subsecretário-Geral da ONU e Diretor Executivo do PNUA.

O relatório GEO-4 conclui que “enquanto se espera que os governos liderem a mudança, outros actores mostram-se igualmente importantes para garantir sucesso em alcançar o desenvolvimento sustentável. As necessidades não poderiam ser mais urgentes e a hora não poderia ser mais oportuna, a partir de nosso entendimento mais aprimorado sobre os desafios que temos pela frente, para agir agora e salvaguardar nossa própria sobrevivência e a de gerações futuras”.

publicado por bali às 01:16
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